A Terceira Dança

Foi na época de formatura que Ele fez uma de suas maiores besteiras. Seu ensino médio lhe reservara a deliciosa ironia de lhe dar um Melhor Amigo e fazê-los gostarem de duas meninas incríveis, respectivamente, Ela e sua Melhor Amiga. E assim foi por algum tempo, Ele era apaixonado por Ela e seu Melhor Amigo, por sua Melhor Amiga.

No momento certo, precisariam escolher uma madrinha de formatura: aquela que entraria com eles no baile, que dançaria a primeira dança e que estaria no álbum por todos os anos que se seguissem. Mas até onde Ele sabia, a “madrinha” não era a “famosa menina pra levar à formatura” e sim algo mais formal. Na verdade, ele não fazia idéia pra que servia a madrinha e sendo assim, convidou sua Melhor Amiga em um momento espontâneo e impensado. O que, evidentemente, deixou o Melhor Amigo enraivecido. Depois disso, tiveram – provavelmente – a pior discussão de suas vidas, em que um acusava-lhe de ter feito besteira e estragar o que haviam combinado desde sempre, enquanto o outro se defendia por simplesmente não saber o que fazia.

E assim os meses finais para o evento se aproximaram e os amigos se acertaram. Não havia volta, Ele entraria com a Melhor Amiga e o Melhor Amigo, sem par, com sua cunhada convidada de última hora. Ainda não estava tudo certo. Ele ainda se sentia muito culpado pela sua ignorância e triste também, pois afinal perdera sua chance de ter Ela como madrinha (agora que descobrira o que efetivamente era uma madrinha de formatura). Precisava se sentir melhor de alguma maneira, mas não fazia idéia do que estaria ao seu alcance.

Porém, tudo que se conversava entre todos os colegas era sobre a formatura e Ele não tardou a descobrir que havia uma terceira dança. A primeira valsa seria com sua madrinha, a segunda com a mãe e a terceira, com qualquer outra pessoa. E no momento em que descobriu isso, mais do que aliviado por poder dar uma boa notícia ao Melhor Amigo, ficou ainda mais feliz pela oportunidade que teria de dançar com Ela, seria sua companhia de dança por três ou quatro minutos, ao menos. E seu amigo haveria de finalmente desculpá-lo.

Mal sabia ele no momento em que ficou sabendo da última dança que, além dos três minutos e quarenta e cinco segundos da The Blue Danubie Waltz de Johann Strauss em que os dois casais se acertaram, a terceira dança pareceria pra Ele, uma eternidade enquanto a viveu. E em sua memória, ficaria marcada pra sempre.

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