Sobre aprender….

As melhores lições nunca estão nos livros. Na verdade, as lições dos livros são idiotas porque estão nos livros. É fácil de consultá-las, de decorá-las. E, raramente, esses aprendizados duram pra além das provas finais. São desnecessários…

Eu aprendi, e muito, fora dos livros didáticos. Os melhores anos da minha vida, na verdade, foram os que eu toquei menos nesses livros. Mas aprendi e mudei. Acho que é isso que torna o viver mais legal, mais dinâmico. Você descobre coisas novas, muda com elas e depois de mudar, aprende mais por ver as coisas de outro ponto de vista. É um ciclo. E não vicioso, mas viciante.

Aprender é viciante. Com os erros. Repetir os erros de novo e de novo. Quem não faz isso? Pode parecer a desculpa mais esfarrapada do mundo, mas acredito que eu cometo erros “repetidos” porque sinto que posso tirar algo deles. Bater a cara no muro faz bem porque abre os olhos.

Aprender faz bem. E se sentir bem é descobrir que não é só nos momentos de depressão e fundo do poço que se tem inspiração pra escrever muito, falar muito ou inspiração pra aprender demais. Tudo isso tem a ver com sorrisos, mesmo os que vêm depois de chorar. O importante são os sorrisos. As recompensas.

Quando o que vale mesmo são as recompensas. Não seria o mais egoísta do mundo, mas sim o mais hipócrita, se disse que não faço 80% do que faço por recompensa, por reconhecimento – jamais financeiro – mas sempre espero algo em troca. Até mesmo auto-reconhecimento, se isso o faz bem. É tão simples e no fim, você descobre a maior lição. Que nunca tem fim. Não existe uma “versão definitiva” da vida. Sempre vai ter algo mais pra acrescentar, pra se contar e pra se ensinar.

Alguém pode ter escrito isso já. Na verdade, posso apostar que alguém já escreveu palavras semelhantes. Mas essa pontuação e essa entonação é minha. Esse aprendizado é meu e esse texto é até subjetivo demais. Só espero que essa lição sirva pra você.

A Terceira Dança

Foi na época de formatura que Ele fez uma de suas maiores besteiras. Seu ensino médio lhe reservara a deliciosa ironia de lhe dar um Melhor Amigo e fazê-los gostarem de duas meninas incríveis, respectivamente, Ela e sua Melhor Amiga. E assim foi por algum tempo, Ele era apaixonado por Ela e seu Melhor Amigo, por sua Melhor Amiga.

No momento certo, precisariam escolher uma madrinha de formatura: aquela que entraria com eles no baile, que dançaria a primeira dança e que estaria no álbum por todos os anos que se seguissem. Mas até onde Ele sabia, a “madrinha” não era a “famosa menina pra levar à formatura” e sim algo mais formal. Na verdade, ele não fazia idéia pra que servia a madrinha e sendo assim, convidou sua Melhor Amiga em um momento espontâneo e impensado. O que, evidentemente, deixou o Melhor Amigo enraivecido. Depois disso, tiveram – provavelmente – a pior discussão de suas vidas, em que um acusava-lhe de ter feito besteira e estragar o que haviam combinado desde sempre, enquanto o outro se defendia por simplesmente não saber o que fazia.

E assim os meses finais para o evento se aproximaram e os amigos se acertaram. Não havia volta, Ele entraria com a Melhor Amiga e o Melhor Amigo, sem par, com sua cunhada convidada de última hora. Ainda não estava tudo certo. Ele ainda se sentia muito culpado pela sua ignorância e triste também, pois afinal perdera sua chance de ter Ela como madrinha (agora que descobrira o que efetivamente era uma madrinha de formatura). Precisava se sentir melhor de alguma maneira, mas não fazia idéia do que estaria ao seu alcance.

Porém, tudo que se conversava entre todos os colegas era sobre a formatura e Ele não tardou a descobrir que havia uma terceira dança. A primeira valsa seria com sua madrinha, a segunda com a mãe e a terceira, com qualquer outra pessoa. E no momento em que descobriu isso, mais do que aliviado por poder dar uma boa notícia ao Melhor Amigo, ficou ainda mais feliz pela oportunidade que teria de dançar com Ela, seria sua companhia de dança por três ou quatro minutos, ao menos. E seu amigo haveria de finalmente desculpá-lo.

Mal sabia ele no momento em que ficou sabendo da última dança que, além dos três minutos e quarenta e cinco segundos da The Blue Danubie Waltz de Johann Strauss em que os dois casais se acertaram, a terceira dança pareceria pra Ele, uma eternidade enquanto a viveu. E em sua memória, ficaria marcada pra sempre.

E no caso de sim? (Cenas Aleatórias)

Ele: – E aí…

Ela: – E aí?

Ele: – Eu acabei de dizer o quanto eu gosto de você e o quanto quero estar com você por perto. Demorei pra ter coragem, ensaiei, pensei 2 vezes… Esperava que você dissesse alguma coisa e tal.

Ela: – E seu disser que não quero nada?

Ele: – Bem… Eu agradeceria se você não me socasse, ou que o fizesse logo, se for fazê-lo.

Ela: – Socar você? Porque?

Ele: – Ah, vai saber você não gostou do que eu disse, ou algo do tipo… O fato é que seguiremos em frente.  Eu, provavelmente, me sentirei um pouco aliviado e bem triste por algum tempo.

Ela: – E no caso de um sim?

Ele: – Anh?

Ela: – E se eu disesse que também gosto de você e que adoraria que ficássemos juntos?

Ele: – Eu… não… pensei nessa possibilidade.

Ela: – Quer dizer que você se declara pra mim, disse que até ensaiou… E não pensou que eu poderia dizer sim?

Ele: – Não… Digo, sei lá… Não pensei nisso, esse não costuma ser o resultado comum e…

Ela o beija. Ele não sabe o que dizer.

Ela: – Homens são cagões.

Ele: – Quê?

Ela: – Vocês, homens. São medrosos. Não confiam em si mesmos, mas também nunca parecem saber lidar com rejeição.

Ele: – Rejeição, sem dúvida, não é nenhuma novidade pra mim.

Ela: – E é isso que eu estou dizendo… Porque eu te beijei?

Ele: – Não sei… Estou pensando nisso e não descubro uma resposta.

Ela: – Então nem eu, nem nenhuma pessoa no mundo vai poder te responder isso.

Ela se levanta, mas Ele a segura pela mão. Ela volta-se pra ele e diz:

Ela: – Os outros não podem lhe dizer o que você merece. Se você não sabe porque alguém ficaria contigo, não deveria pedir isso a ninguém antes de descobrir.

Ela solta a mão dele com cuidado e sai, deixando-o com pensamentos que nunca haviam lhe ocorrido.