Em “Repeat” (Cenas Aleatórias)

18h00. A lotação nas catracas do Metrô impede uma boa visibilidade para quem chega dos dois sentidos,  Ele tenta se posicionar em um lugar estratégico. Visto que Ela provavelmente viria no sentido oposto, o canto da estação parece o melhor lugar para ficar.

18h21. O tempo não passa enquanto se espera alguém, ele sempre soube disso. Mas afinal, quinze minutos de atraso não são nada. Ela não iria deixar de ir… De novo. Ela só estaria atrasada… De novo.

18h30. Meia hora de atraso. Se pelo menos o celular dele tivesse sinal ali em baixo… Imaginava se ela estaria desesperada tentando ligar e explicar o atraso ou se ela estaria ao menos lembrada que tinha um compromisso…

18h47. Qual o tempo “comum” de espera por alguém? Ele pensava nisso, perguntava se estaria revivendo o acontecimento da última vez, em que esperou por mais de uma hora por ela. Não gostava de pensar que ela fazia de propósito, era somente uma sequência de eventos caóticos que não a permitiam ir. Sempre.

19h00. Uma hora de atraso. Era considerável ir embora já, mas ele procura lá em baixo a última remessa de pessoas que chega. Ele a vê, de blusa azul e volta para seu lugar, tentando parecer despreocupado, como se nem tivesse notado a demora. A blusa azul aparece de longe e se aproxima. Não é ela. Na verdade, não tem nada a ver com ela. Ele volta a procurá-la na plataforma.

19h13. Decide ir embora. O problema é ela chegar no momento em que ele partir. O que não ser problema algum, a culpa não seria dele. Embora as coisas não fossem tão simples assim.

20h32. Já no ônibus de volta pra casa, olha pelas janelas imensas pras pessoas lá fora. Quantas delas voltariam de um marcado-não-acontecido? Não era a primeira, nem mesmo a segunda vez que esperava em vão por Ela. Pensava quantas vezes isso se repetiria. Ainda não havia se decidido.

21h40. O computador já está ligado a algum tempo e ainda não tem nenhum sinal dela. Pensava se o problema maior estaria na ausência ou na falta de justificativa. Com certeza estava na falta de consideração, o que envolvia os dois. Decide-se que isso não se repetiria. Resolve que diria tudo que pensa assim que tivesse uma chance.

00h38. Ele arruma as coisas para o dia seguinte, quando seu celular toca, indicando nova SMS. Lê: “Desculpas, querido. Não pude ir, mudança de planos urgente. Amanhã estou livre, mesmo horário?”. Não sabe o que responder, já sonolento. Manda: “Ok.” e vai deitar sem olhar para o computador ainda ligado, onde o novo aplicativo que instalara mais cedo naquele dia mostra o novo tweet: “@Ela: Noite divertidíssima com os bests! Agora, hora do soninho! Fui!”.

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9 pensamentos sobre “Em “Repeat” (Cenas Aleatórias)

  1. Comentando sir John… Pode ser “patético”, mas, anyway… a noção que o texto demonstra uma situação patética faz-me sentir mais patética ainda… por ser esse moço que protagoniza o ocorrido… por ter sido a atrasada e sempre, nesse caso, ter me desculpado tanto por tê-lo feito… E por me preocupar com quem não aparece… com quem espera… Os outros não pensam assim!
    Eu não gosto dos outros, então…

  2. …Eu só sei que “Qual o tempo “comum” de espera por alguém?” e “Quantas delas voltariam de um marcado-não-acontecido? ” continuaram se repetindo na minha cabeça depois de ler…

    E se é para falar do TEXTO e não das minhas impressões vividas, eu só digo que é absolutamente introspectivo…
    😉

  3. ^^

    Eu adoro esse meu amigo, tão ingênuo perante as mulheres quanto eu…

    O mais legal é que eu tenho certeza que ele foi no dia seguinte! xD
    (eu iria)

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