Sem querer

“Em silencio de formiga, só goteira diz que a vida não parou” 

O trabalho que é conseguir dar um sorriso. Com o que quer que venha pela frente, não é como se fosse fácil.
Nunca foi e – na verdade – acho que ninguém nunca pediu que fosse. E olha que a gente pede por muita coisa.
Mas o sorriso.
De repente, quando a gente vê, do que importa qualquer coisa? Felicidade é poder sorrir, triste é ter que sorrir.
Não é nem como se ninguém entendesse. Mas a real… é que ninguém entende.
E é quando o mundo, vez ou outra, joga uma bomba.
E é quando da aquela vontade apertada de chorar. De orar.
Felicidade é ver um sorriso, é se encontrar sem querer.
Triste é que ninguém entende.

Ao Gu.

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Namore uma garota que lê

Adaptado de Date a Girl Who Reads

Namore uma garota que lê. Namore uma garota que gaste quase todo dinheiro em livros, ao invés de roupa. Que onde ela guarda os livros seja mais arrumado do que o lugar das roupas. Namore uma garota que tem várias listas de livros do que ler e que sempre sabe os lugares que têm os melhores livros.

Ache uma menina que lê. Você descobre facilmente, pelo livro incompleto que ela sempre carregará na bolsa. É aquela que está sempre na livraria, e vai direto pra onde está o livro que ela quer desde muito tempo. Sabe aquela que cheira livros novos e fuça em livros de segunda mão? Essa é a leitora. Quanto mais cheirosos os novos, ou quanto mais amarelas as páginas dos usados, melhor.

Ela é quem sempre esperará alguém na livraria, com um café. Na primeira vez que saírem, ela lhe esperará numa livraria. Mesmo que você não tome café, nunca recuse o convite.

“O que importa mesmo é a companhia”, ela lhe dirá.

Cite Shakespeare. Mostre que você também reconhece que palavras são amor. Só não queira parecer mais do que é. Deixe que ela te mostre o quanto sabe, que – se vocês estiverem numa livraria, e vocês estarão em muitas desde a primeira vez – ela pegue um livro na prateleira só pra te mostrar um trecho ou explicar uma trama.

É fácil namorar uma garota que lê. Não lhe dê livros de aniversário. Lhe dê muitos livros, só não espere datas especiais. Ela saberá a história de cada um e saberá que são especiais. Acredite, ela sabe a diferença entre livros e a realidade, mas ela sempre vai querer aproximar a vida desses livros. Ela vai querer meter o Pé na Estrada. E vai perceber quando você tremer de medo com essa idéia.

E, se tiver algum problema pelo caminho, apenas supere. Ela vai se chatear, mas assim como você, também não vai aturar vê-lo triste. Tudo porque os livros já a ensinaram que coisas dão errado, nem que sejam pra que dêem mais certo logo depois. Ensinaram que existem continuações. Que novas oportunidades ainda deixam você na sua posição de herói. E que a vida vai colocar vocês diante de um ou dois grandes vilões.

Se arrumar uma garota que lê, mantenha-a por perto. Ela vai ter dificuldades pra dormir depois de ler algo que lhe comova. Depois de ver no cinema a adaptação de um livro favorito, então, esqueça-a por umas duas horas. Ela volta, mas ela terá aquele momento de abalo. Ela contará então todas as histórias que sabe sobre eles, como se fossem reais. Afinal, durante aquele tempo, eles são.

Você a pedirá em casamento em um balão. Ou durante um show. Ou escapará quando tiver cuidando dela. Ou pelo Skype.

Você sorrirá tão feliz com ela que não será de estranhar se eu coração explodir. Vocês escreverão contos e cartas que lembrem seus momentos. Discutirão nomes com referências a livros e filmes pros filhos. Ela apresentará Aslan e Sirius pra eles, um dia.

No fim das contas, você ousará pensar que até merece uma garota que lê. Leitoras também são amantes de filmes e assim vocês terão um pouquinho de um no outro. Ou muito.

Você merece aquela garota que deixa a sua vida com toda a imaginação possível. Se só puder dá-la monotonia, não tiver muito a dizer e não a fizer rir com as referências, então ela seria melhor sozinha. Mas se esforce. Não se contente com nada menos que o mundo inteiro.

E então garota que lê, sério. Arrume um cara que escreve.

“Seria o Acaso?” em Balões Aquáticos

Para dar um ar novo ao blog, nada mais justo que um texto da Stephany Quintela.

Escrito, nas palavras dela, “inspirado e em homenagem” ao antigo “Seria o Acaso”, aqui do blog. O estilo é o conhecido daqui, mas cheio de mini referências e não escrito por mim, ou seja, com um toque completamente diferente.

“Seria o Acaso?”, em Balões Aquáticos

“Aos poucos, as calças jeans foram se encostando, as mãos ficaram mais próximas: das costelas. É claro.” in Seria o Acaso?

Possibilidades

E, assim, Ele estava apaixonado. Mas eu estou me adiantando na história…

Havia 3 garotas, cada uma delas de um jeito diferente. Uma incrível, aquele alvo inatingível, aquela que faz os caras montarem planos mirabolantes pra chegar no bom dia; A segunda, meio deixada de lado. Ela sempre esteve lá, claro, mas não chamava especial atenção, mesmo se já tivesse ouvido falar sobre ela muitas vezes; A terceira, uma estranha anônima, de vestido vermelho, numa festa qualquer. Essa sim, chamava atenção e parecia valer a pena ter sua companhia na festa. E parecia meio óbvio – ou muito, agora olhando em retrocesso – que ele acabaria com uma das 3.

Com a primeira, houve trabalho. Deu uma volta que a maioria consideraria perda de tempo. Fez contatos ao redor, ensaiou uma ou outra conversa com ela, fez-se se de difícil quando achou que devia. Como nenhum desses planos envolvia participação dela e só as impressões que ele devia causar, nem a conheceu direito. Gostaria dela se a conhecesse, mas como toda menina inalcançável, não a alcançou.

Com a segunda… Claro, com a segunda as coisas foram diferentes. No devido ritmo, conhecendo-a aos poucos. E era incrível. Como ela passou de sumida pra evidente? Ele se perdera no meio do caminho pra descobrir. E, assim, Ele estava  apaixonado. Agora sim. No tempo certo, como as melhores coisas têm que ser.

E, como as coisas nunca são fáceis, tem a terceira. E, posso dizer, ele definitivamente se sentiria atraído por ela. Uma das mais bonitas que já vira, em um dos vestidos mais bonitos que ele já vira. Ah, aquele vermelho… Se não tivesse já apaixonado pela anterior, essa seria a tal. Falando assim, até se desmerece o afeto dele por aquela que eu apresentei como “segunda”. Mas não duvide, é somente uma terceira que surgiu porque, afinal – assim como as outras duas – ele facilmente se apaixonaria por ela (quando ela deixasse de ser uma estranha num vestido bonito) e essa é a questão aqui.

Com a expectativa enorme pra primeira, com a ausência absoluta de expectativa pela segunda ou pelo baque instantâneo da terceira. Todas haveriam de – ao seu tempo – despertar nele aquele “quê” que não se explica. O fato aqui é que ele não esperava nada disso. Nenhuma delas. E que isso haveria de acontecer. Mais cedo ou mais tarde. A questão delas 3 serem no fim das contas a mesma pessoa (de futuros ou passados alternativos) nem faz diferença à essa altura.

 

E quando é pra ser, é. Você só precisa NÃO estar preparado.

Escolhas

Pé direito ou pé esquerdo.
Fazer ou não a barba.
O ônibus mais caro ou o que demora.
Mandar mensagem de bom dia ou esperar uma.
Ir ao trabalho ou passar a tarde no parque.
Estudar ou cochilar a tarde.
Esquecer ela.
O dia é feito de escolhas.
Algumas só cogitadas, outras obrigatórias.
Algumas sem impacto, outras definitivas.
A gente só nunca sabe os porquês.

Pedaço do Mundo

Aquilo era São Paulo. Aqueles prédios enormes e brilhantes que faziam a Avenida Paulista a noite ser única. Era um momento de apreciação tão grande que por um segundo se esquecia o cansaço de um dia cheio, de estar num ponto de ônibus esperando pra voltar pra casa. Ali se sentia em casa, sentia orgulho. As vezes, desejava que o mundo conhecesse melhor a Paulista, que aparecesse nos filmes, que fosse referência para estrangeiros, queria compartilhá-la com o mundo inteiro.
E estava perdido nesses pensamentos quando parte do mundo inteiro lhe interrompeu.
Era uma pequena parte, se for considerar o mundo inteiro. Mas Ela era linda. Os olhos verdes mais fundos que já vira, recebendo de bandeija o brilho dos prédios que se encerravam num sorriso desajeitado.
Ela acabara de trombar nele, e dizia:
– I’m sorry. Hm… D… De… Derrculpa.
Ela parecia definitivamente perdida. Com um mapa do metrô meio amassado na mão, ela olhava ao redor e pra ele, como que procurando uma referência ou esperando uma resposta.
– Não foi nada. – Ele disse, rápido o suficiente pra racionar que ela não o entenderia. Precisava falar comela em inglês, claro.
Ele não sabia inglês. Maldito momento em que – quando teve a opção – preferiu suas aulas de guitarra à começar um cursinho de inglês. “Claro, aprender a tocar um instrumento é o que eu preciso. Sabe, garotas e música…”. E agora, odiava essa decisão idiota. Sem inglês, não sentia como isso teria algum avanço.
Como “Não foi nada” podia significar pra ela tanto “Não foi nada.” quanto “Sai da minha frente”, ela resolveu ignorar o idioma local e tentar se localizar. Apontando aleatóriamente para o mapa do metrô, repetia:
– Paulista, Paulista.
Estavam na Paulista, como ele poderia ajudá-la? Se ela estivesse apontando qualquer outro lugar, tentaria indicá-lo. Mas não, ele não podia ajudá-la.
Ela o olhava com cara de quem pede desculpas por incomodar, mas que vai embora se ele ficar só encarando e não tentar se comunicar.
Mas ele estava perdido. Aqueles enormes olhos verdes lhe pediam e ele simplesmente não podia ajudar.
Sem conseguir sua resposta, Ela foi embora e ele só pode ouvir:
– Damn! I just wanted a nice guy to guide me and spend the night with me.
E ele só esperava que não tivesse sendo xingado, porque tinha certeza que “damn” não significava coisa boa.

Fascinação

Sempre me fascinei por estradas. Milhas passando em segundos, as faixas intermináveis no asfalto, as mais incríveis paisagens de 15 minutos atrás. A velocidade com que as coisas se vão.
Sempre me fascinei pela velocidade. Das bicicletas aos 10, dos carros aos 15 e da vida aos 20. O quanto pessoas que se demoraram uma hora vão embora, como as pessoas principais surgiram num piscar de olhos. E como você apareceu no meio desse caminho.
Sempre me fascinei por você. Não, na verdade não. Não a notei até que estivesse estatelada na minha frente. Não lhe procurei até que fosse estritamente necessário. Não a amei até 15 minutos atrás.